O Brasil é o segundo país mais estressado do mundo. Um estudo realizado pela International Stress Management Association (Isma – Brasil) revelou que, para 69% dos entrevistados, o motivo do desgaste emocional é o trabalho. A situação poderia ser diferente se houvesse incentivo à cultura e clima organizacional das empresas.

Isso é percebido por meio dos depoimentos dos profissionais entrevistados na pesquisa. Os relatos são de jornadas exaustivas, sobrecarga de tarefas e a tensão no ambiente corporativo. Além de causar estresse, a falta de cuidado com a cultura e clima organizacional também prejudicam a companhia. Veja como mudar isso.

 

Como a falta de gestão na cultura e clima organizacional pode afetar a saúde dos colaboradores

 

Os transtornos mentais e emocionais são a segunda maior causa de afastamento no trabalho. De acordo com a Previdência Social, em 2016, 75,3 mil trabalhadores foram afastados de suas funções por causa da depressão. Em paralelo a isso, a concessão de auxílio-doença aumentou quase 20 vezes.

Ambientes em que os profissionais não se sentem amparados costumam ter uma demanda excessiva, pouco controle de tarefas, recompensas inadequadas e excesso no comprometimento individual.  

A cultura e clima organizacional da empresa refletem a imagem e a satisfação do colaborador com o ambiente de trabalho. Quando os profissionais se sentem felizes, o impacto em sua saúde e bem-estar é positivo.

A cultura e clima organizacional são positivas quando permitem que o profissional realize suas necessidades pessoais. Ou seja, o ambiente de trabalho não afeta suas relações externas, desejos, disposição e interesse.

Além disso, estar em um local agradável estimula o relacionamento entre os profissionais, a troca de experiências e o aprendizado. O contrário do que acontece quando os colaboradores estão desgastados, onde brigas e desentendimentos são frequentes.

 

Qual é o custo do estresse?

 

Os custos são altos. No que diz respeito ao afastamento de profissionais do mercado de trabalho, o último Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, realizado pelo Departamento Público de Estudos Socioeconômicos (Dieese), revela que 16.381 pessoas receberam auxílio do INSS em junho de 2015.

Faltam registros para representar o impacto que esses afastamentos causam às empresas. De qualquer forma, podemos listar algumas situações comuns:

  • Profissionais que precisam substituir colegas que faltam;
  • Gestores que precisam lidar com faltas não programadas (recolocações, ajustes de fluxo de tarefas, treinamentos ets);
  • Profissionais que não faltam, mas não conseguem executar suas tarefas.

Neste último caso, em especial, estão os profissionais que vão até a empresa, mas não são capazes de lidar com suas atividades. Um levantamento da Isma-BR, mostra que 96% das pessoas que têm burnout se sentem incapacitadas para trabalhar, mas 92% vão para a empresa, temendo uma demissão ou afastamento.

Apesar dos impactos negativos que esses fatores causam para as companhias, há pouca iniciativa no sentido de mudar essa realidade. A consultoria Mercer avaliou 267 companhias de médio e grande e identificou que 46% não planejam investir em um programa de saúde mental nos próximos anos. O interesse parte de apenas 18%.

 

A valorização da cultura e clima organizacional podem diminuir os custos com saúde corporativa

 

O caminho para mudar essa realidade está no desenvolvimento de estratégias que reforcem a cultura e clima organizacional da companhia. Os profissionais precisam se sentir como peça fundamental de toda engrenagem, mas de forma estimulante, e não como uma sobrecarga.

 

Mantenha o diálogo aberto

Doenças psicossomáticas ainda são um tabu no mercado de trabalho. A empresa deve mudar esse padrão e chamar os colaboradores para falarem sobre o tema, tratando-o como uma questão que precisa ser resolvida. Ter canais de atendimento e profissionais capazes de identificar os sinais do desenvolvimento desses males ajudará a antecipar os tratamentos.

 

Desenvolva um plano para melhorar o clima organizacional

Um ambiente tenso, sobrecarregado e inibidor não é capaz de estimular sensações positivas nos profissionais. A companhia deve estruturar o modelo de ambiente que quer construir para seus colaboradores e desenvolver um planejamento para colocá-lo em prática. Isso pode envolver desde a ampliação dos espaços de convivência, áreas de relaxamento etc.

 

Invista em programas de bem-estar e qualidade de vida

Pesquisas revelam que profissionais mais saudáveis são mais produtivos. O investimento em programas de qualidade de vida e bem-estar proporcionam resultados positivos para a empresa, como o aumento no faturamento, na efetividade das tarefas etc.

Além disso, profissionais saudáveis utilizam menos os planos de saúde, diminuem as chances do desenvolvimento de doenças crônicas, afastamentos e absenteísmos. Veja como motivar seus colaboradores com iniciativas saudáveis.

 


Bruno Rodrigues

Author Bruno Rodrigues

CEO e co-fundador da GoGood. Bruno Rodrigues é empreendedor e especialista em inovação pela Universidade de Stanford, co-fundador da GoGood e apaixonado por tecnologia em saúde e por negócios com impacto social. Antes de sua carreira como executivo, foi atleta profissional de karatê e campeão Sulamericano.

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