O sedentarismo e a obesidade são considerados alguns dos principais males da vida moderna. Os hábitos de consumo e o comportamento das pessoas mudaram nos últimos anos, e o aumento da incidência de doenças evitáveis são as consequências da diminuição da prática de atividades físicas e da má alimentação.

A rotina cansativa e estressante têm impactado na vida dos brasileiros. Nas grandes cidades, o trabalhador costuma se deslocar por um trajeto muito longo para ir e voltar do trabalho, o que diminui o seu tempo livre e, consequentemente, a possibilidade de se exercitar.

O sedentarismo e a obesidade estão relacionados entre si, mas também influenciam diretamente nos custos de saúde. A falta de bem-estar físico exige que o indivíduo vá mais vezes ao médico, faça mais exames, consuma mais medicamentos e produza menos no trabalho.  

Sedentarismo e obesidade: o que são os males da vida moderna?

O sedentarismo é a falta ou a diminuição das atividades físicas, práticas responsáveis por queimar a reserva calórica do corpo humano. Quanto menos atividades ou exercícios físicos um indivíduo realiza, menos chances têm de perder peso e manter o corpo ativo.

No passado, as pessoas – principalmente as crianças – passavam mais tempo se movimentando espontaneamente nas ruas, nos condomínios, nos clubes e nas escolas. Hoje, o cenário mudou drasticamente. A tecnologia estimulou o ser humano a trocar a atividade física por uma programação passiva no sofá de casa, como assistir desenhos animados, filmes, séries, jogar videogame ou manusear o celular.

Pessoas sedentárias têm mais risco de serem diagnosticadas com doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes, aumento do colesterol, hipertensão arterial, obesidade, entre outras. Além disso, têm mais chances de sofrer um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) do que alguém que se exercita.

No Brasil, 100,5 milhões de pessoas a partir dos 15 anos de idade não praticaram nenhuma atividade física no ano de 2015. É o que revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Entre as mulheres, o número é maior: duas em cada três não realizam nenhum exercício.

Quanto menos atividades o indivíduo pratica, mais chances terá de se tornar uma pessoa obesa. Essa situação é mais crítica nos casos em que o sedentarismo começa desde a infância.

A obesidade é o excesso de peso e o aumento da massa do tecido adiposo, normalmente superior a 20% do peso total do ser humano. Segundo o Ministério da Saúde, um em cada cinco brasileiros está acima do peso. São 18,9% da população diagnosticada com a doença e 54% com sobrepeso, situação que pode evoluir para um quadro de obesidade.

A combinação sedentarismo e obesidade formam uma bomba relógio para a vida da população, pois aumenta as chances do desenvolvimento de diversas doenças. Entre as mais comuns, estão a hipertensão e o diabetes. Além disso, causam impactos na saúde física e financeira de indivíduos, empresas e órgãos governamentais, que atuam na diminuição desses casos.


O impacto do sedentarismo e obesidade nos custos de saúde

O aumento do sedentarismo e da obesidade causam reflexos no bem-estar e na saúde dos indivíduos, mas também impactam, de forma exponencial, nos custos para tratá-los.

Um estudo realizado pelo McKinsey Global apresentou dados sobre o aumento dos gastos no combate à obesidade no mundo todo. No Brasil, a despesa é equivalente a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Isso equivalente a R$ 110 bilhões, considerando o PIB de 2013.

De acordo com o estudo, no mundo todo, a obesidade tem o mesmo custo de tratar doenças decorrentes do cigarro ou de perdas em conflitos armados. No nosso país, a obesidade está em terceiro lugar na lista dos maiores problemas de saúde para a economia. Fica atrás apenas de mortes violentas e alcoolismo.

A obesidade é preocupante, pois não impacta apenas no custo direto com o seu tratamento, mas também reduz a produtividade da mão de obra, diminuindo os dias úteis do trabalhador.

Por outro lado, apostar em melhorias para a saúde do colaborador comprovadamente traz retornos financeiros significativos para as empresas. Pesquisadores de Harvard analisaram a literatura médica sobre investimento em programas de prevenção de doenças e de promoção da saúde nos EUA. Eles identificaram que para cada dólar investido nesses programas, houve uma redução de US$ 3,27 nos custos médicos e de US$ 2,73 nos gastos relacionados ao absenteísmo (ausência no trabalho). Ou seja, é um retorno de US$ 3 para cada dólar investido!

Para citar um exemplo de retorno de investimento em promoção da saúde, a Johnson & Johnson economizou US$ 250 milhões em custos de saúde entre os anos 2000 e 2010 ao investir em programas de bem-estar.

Como evitar os custos de saúde com sedentarismo e obesidade?

Um dos dados apresentados pela Pnad é que a prática física está ligada ao nível de escolaridade da pessoa. Quanto menor o nível de instrução formal, menor o percentual de pessoas que praticam exercícios ou esportes.

A empresa pode fazer uma pesquisa interna para confirmar a informação. Dessa forma, com base nos dados da pesquisa, é possível mapear o perfil dos colaboradores que realizam menos atividades físicas.

A reversão desse quadro e a diminuição do impacto financeiro que as doenças evitáveis causam para a empresa podem ser feitos com base em estratégias adotadas para a promoção da saúde. Veja, a seguir, quais atitudes podem partir da empresa:

  • Flexibilização da jornada de trabalho, para que o colaborador possa se exercitar;
  • Promoção e orientação sobre bons hábitos alimentares, além de mudanças no cardápio;
  • Incentivo à prática de atividades físicas, por meio de competições e gincanas;
  • Estímulo de bons hábitos relacionados ao sono;
  • Prevenção de saúde primária, acompanhamento para evitar o desenvolvimento de doenças;
  • Ajudar a reduzir o estresse, entre outros.  

A rotina exaustiva dos profissionais, a falta de conhecimento e motivação são os principais limitadores da vida mais saudável.

A empresa pode interferir diretamente nesses pontos que prejudicam o colaborador e sua produtividade. Assim, pode estimular hábitos mais saudáveis que resultarão em benefícios para a saúde e bem-estar. Ao mesmo tempo, reduz o custo com serviços médicos para a empresa.

A tecnologia é um facilitador desse processo. Por meio de plataformas digitais e gamification, a empresa consegue orientar seus colaboradores e acompanhar o desempenho em suas atividades. No final, alcançará melhorias em seu clima organizacional e motivação para sua equipe. Veja como melhorar o clima organizacional e aumentar motivação na sua empresa.

Bruno Rodrigues

Author Bruno Rodrigues

CEO e co-fundador da GoGood. Bruno Rodrigues é empreendedor e especialista em inovação pela Universidade de Stanford, co-fundador da GoGood e apaixonado por tecnologia em saúde e por negócios com impacto social. Antes de sua carreira como executivo, foi atleta profissional de karatê e campeão Sulamericano.

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