Você sabe qual o impacto de um exame demissional mal conduzido para a sua empresa? Mais do que uma formalidade legal, esse procedimento é essencial para a segurança jurídica e o bem-estar dos colaboradores. Neste artigo, vamos explicar o que é o exame demissional, quando ele é obrigatório, quem deve arcar com os custos e quais cuidados sua empresa precisa ter para evitar passivos trabalhistas e melhorar a experiência do desligamento.

O que é o exame demissional?

O exame demissional é uma avaliação médica obrigatória realizada no momento da rescisão do contrato de trabalho com um colaborador. Sendo assim, seu principal objetivo é verificar se o trabalhador está deixando a empresa em boas condições de saúde ou se desenvolveu alguma doença ou condição relacionada ao trabalho, protegendo ambas as partes. 

O exame demissional está previsto na Norma Regulamentadora nº 7 (NR-7) e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e deve ser feito obrigatoriamente antes do desligamento, exceto em situações específicas previstas por lei.

Para que serve o exame demissional?

O exame demissional de saúde serve alguns propósitos, dentre eles: 

Ademais, o exame demissional funciona também como uma ferramenta de prevenção para as os empregadores. Com ele, é possível identificar possíveis problemas de saúde que estão acometendo os funcionários e tomar medidas que melhorem as condições de trabalho. 

O que diz a CLT sobre o exame demissional?

A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) no Brasil não faz menção direta ao “exame demissional”, mas contém algumas disposições que se relacionam ao tema. Nesse contexto, a principal referência é o artigo 168, que estabelece a obrigação do empregador submeter o empregado a exame médico admissional. Além disso, também são necessários os exames periódicos e de retorno ao trabalho.

No caso do Brasil, também podem existir normas complementares emitidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego ou por entidades médicas. Portanto, é sempre recomendado consultar a legislação atualizada e as normas específicas para obter informações precisas sobre o exame demissional no contexto brasileiro.

O exame demissional é obrigatório?

O exame demissional é obrigatório sempre que houver encerramento do contrato de trabalho, exceto se o último exame médico ocupacional (admissional, periódico ou de retorno ao trabalho) tiver sido feito:

Além disso, existem algumas situações em que é comum a necessidade de realizar um exame demissional, sendo elas:

Casos em que o exame demissional não é necessário

Em alguns casos específicos, o exame demissional pode não ser necessário:

É importante ressaltar que as exceções à obrigatoriedade do exame demissional podem variar de acordo com as leis e regulamentos específicos de cada país e a política da empresa em questão. Portanto, é sempre recomendado verificar a legislação trabalhista local e as políticas internas para determinar se o exame demissional é necessário em um caso específico.

Quem paga pelo exame demissional?

O pagamento do exame demissional é de responsabilidade total do empregador, conforme estabelecido na Norma Regulamentadora 7 (NR-7) do Ministério do Trabalho e Emprego. Isso garante que o funcionário tenha acesso a um exame médico completo e adequado ao encerrar seu vínculo empregatício, sendo ilegal transferir esse custo ao colaborador.

Como funciona o exame demissional?

O exame demissional deve ser realizado por um médico do trabalho, preferencialmente vinculado ao  Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da empresa. O exame geralmente envolve diferentes etapas, que podem variar de acordo com a política da empresa e a legislação local. Entre as atividades mais comuns estão:

Além disso, ainda pode ser realizada uma avaliação das capacidades funcionais, a fim de verificar se há alguma limitação que possa impactar sua capacidade de desempenhar determinadas tarefas no futuro. E, somado a isso, uma avaliação psicológica, para verificar o estado emocional do funcionário e identificar possíveis problemas psicológicos relacionados ao trabalho.

O que acontece se o colaborador for considerado inapto pelo exame demissional?

Se o colaborador for considerado inapto no exame demissional, a empresa não pode prosseguir com o desligamento. Nesse caso, ele deve ser encaminhado ao INSS para avaliação e, se for confirmado o nexo com a atividade exercida, pode ser concedido afastamento por auxílio-doença ou acidente de trabalho. 

Ainda, quando um funcionário não passa no exame demissional, a empresa deve tomar algumas ações, considerando as leis trabalhistas locais e suas políticas internas. Sendo assim, algumas medidas a serem consideradas são:

Outras considerações importantes:

E se o funcionário não fizer o exame demissional?

No Brasil, se um funcionário se recusar a fazer o exame demissional, podem ocorrer as seguintes consequências:

Portanto, é importante seguir as orientações legais e as políticas da empresa relacionadas ao exame demissional, pois a recusa em realizá-lo pode resultar em penalidades legais, limitar a responsabilidade do empregador, gerar registros de saúde incompletos e ter implicações no futuro emprego.

Existe multa por não realizar o exame demissional?

A falta de realização do exame demissional pode resultar em multas para a empresa de acordo com a legislação trabalhista. A não realização pode ser considerada uma infração trabalhista, sujeitando a empresa a multas administrativas e possíveis implicações legais em casos de contestação trabalhista. Sendo assim, é fundamental cumprir as obrigações legais relacionadas aos exames médicos ocupacionais para garantir a conformidade com a legislação e evitar penalidades.

Onde fazer o exame demissional?

O exame demissional pode ser realizado de diferentes formas, dependendo das políticas da empresa e das condições do trabalhador. Em suma, alguns dos meios mais comuns para a realização desse exame são:

Ainda, é possível que o funcionário realize o exame demissional em uma clínica particular, se for de sua preferência. Ao optar pela modalidade particular, o funcionário assume a responsabilidade pelos custos, incluindo honorários médicos e possíveis exames complementares. É recomendado informar o empregador sobre a escolha e cumprir as obrigações legais para evitar conflitos.

Após realizar o exame demissional, é possível continuar trabalhando?

Após o exame demissional, o funcionário geralmente pode continuar trabalhando, a menos que haja indicação médica para o afastamento imediato. Ou seja, o exame avalia a saúde do funcionário no momento da demissão, e se não houver restrições identificadas, ele pode continuar suas atividades normalmente até a data de desligamento. No entanto, o médico pode recomendar o afastamento imediato em casos de problemas de saúde graves ou riscos para o funcionário ou colegas.

Dito isso, altas taxas de desligamento podem ser um sinal de que algo precisa mudar, e o exame demissional pode revelar muito mais do que questões de saúde. Seu pacote de benefícios está ajudando a reter talentos ou contribuindo para a rotatividade? Solicite um diagnóstico gratuito e descubra como usar os benefícios como aliados na retenção e no bem-estar dos colaboradores.

O que precisa constar no exame demissional?

O Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), que é o documento resultante do exame demissional, deve conter as seguintes informações:

É importante que o ASO seja um documento claro, preciso e completo, fornecendo uma avaliação adequada da condição de saúde do funcionário no momento do desligamento. Ajudando assim, a garantir a segurança e a saúde do funcionário, além de fornecer um registro documentado para possíveis questões legais ou trabalhistas no futuro.

Existe uma validade para o exame demissional?

Não há uma validade específica estabelecida para o exame demissional. Dessa forma, sua validade pode variar de acordo com as políticas internas da empresa e as orientações do médico responsável. No entanto, geralmente, o exame é válido no momento em que é realizado, registrando a condição de saúde do funcionário na demissão. 

Assim, caso o funcionário seja recontratado em curto prazo, é recomendado avaliar a necessidade de um novo exame. É importante que o exame seja próximo à data da demissão para fornecer uma avaliação atualizada da saúde do funcionário.

O que fazer após o exame demissional?

Após o exame demissional, os próximos passos incluem:

Por isso, é importante seguir as orientações da empresa e as leis trabalhistas vigentes para garantir um encerramento adequado do contrato de trabalho.

E sobre o arquivamento desses exames?

Existe uma regra para o arquivamento dos exames demissionais de acordo com a Norma Regulamentadora 7 (NR-7) do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil. Trata-se do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), os exames médicos, incluindo os demissionais, devem ser mantidos em arquivo pela empresa por um período mínimo de 20 anos.

O arquivamento dos exames demissionais é importante para manter um histórico completo da saúde dos funcionários ao longo do tempo. Esse período de arquivamento também permite que a empresa tenha acesso aos registros caso surjam questões legais, reivindicações de saúde ocupacional ou necessidade de referência para avaliações futuras.

É fundamental que a empresa mantenha os arquivos de forma organizada, garantindo a confidencialidade e a segurança das informações pessoais e de saúde dos funcionários, de acordo com as leis de privacidade e proteção de dados vigentes.

Conclusão

O exame demissional é mais do que uma exigência legal: é um ponto crítico na jornada do colaborador que exige atenção, responsabilidade e planejamento. Além de proteger a empresa juridicamente, esse cuidado reforça a imagem de uma organização preocupada com o bem-estar até o último dia de contrato. Com apoio especializado e tecnologia, é possível transformar o processo de desligamento em um encerramento digno, seguro e humanizado.

É importante ressaltar que esses passos podem variar de acordo com a legislação trabalhista vigente no país, acordos coletivos, políticas internas da empresa e outros fatores específicos. Portanto, é sempre recomendado seguir as orientações da empresa e buscar informações atualizadas para garantir um encerramento adequado e legal do contrato de trabalho.

Perguntas Frequentes

Qual o valor do exame demissional?

O valor do exame demissional varia conforme a região, o prestador de serviço, a complexidade do exame e a necessidade de exames complementares. Não existe um preço fixo estabelecido por lei, a recomendação é consultar clínicas para obter um orçamento detalhado. 

Qual o prazo para o funcionário fazer o exame demissional?

De acordo com o Art. 168 da CLT, o exame demissional deve ser realizado em até 10 dias após a rescisão do contrato. No entanto, o ideal é que ele ocorra antes da data oficial do desligamento, garantindo conformidade legal e segurança jurídica. 

Pode dar baixa na carteira de trabalho antes do exame demissional?

Não é recomendado dar baixa na carteira de trabalho antes do exame demissional. Esse cuidado evita problemas legais e demonstra responsabilidade com a saúde e a segurança do colaborador.

Exame demissional pode ser usado como exame admissional?

Não, o exame demissional não pode ser usado como exame admissional. Os dois têm objetivos distintos. Enquanto o demissional avalia o estado de saúde no momento de saúde do colaborador, o admissional verifica a aptidão para o início de uma nova função.

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